
Para os amantes da literatura, qualquer conversa, comemoração ou momento é motivo para se falar de livros.
Há algum tempo o nome Adélia Prado retumbava em meus ouvidos, ora pelos comentários de amigos, ora pelas intermináveis pesquisas via internet. Como todo ávido leitor, mantenho uma extensa lista de obras a serem lidas em fila, assim sendo, por motivos pessoais não costumo furá-la. Abro exceções para algum trabalho ou artigo que tenha que fazer.
No final de 2010, eu, e os amigos do grupo de pesquisa sobre Poesia Decadentista Brasileira que faço parte nos reunimos para uma comemoração. O amigo oculto que fizemos foi de livros, óbvio! Minha amiga e excelente poetisa Suzane havia sorteado meu nome. Como nada acontece por acaso, aquele barulho que retumbava se aproximou e de presente caia em minhas mãos um livro em prosa chamado “O Homem da Mão Seca” da consagrada escritora mineira, Adélia Prado.
Minha primeira impressão ao ler as primeiras páginas, foi notar certa semelhança com a atmosfera de Clarice Lispector. Não digo semelhança de narrativa, mas algo como um tônus existencialista de sua personagem e de seu ambiente.
O Homem da Mão Seca conta a história de Antônia, uma mulher normal, casada, com filhos e amigos que durante anos escreve seus acontecimentos diários em cadernos. Uma mulher que vive conflitos íntimos no seu quotidiano em relação aos seus sentimentos, como o amor, o marido, os amigos, a religião, a Deus e principalmente a ela.
No final do livro, sentindo-se liberta da disciplina das convenções que havia imposta a si própria, descobre uma nova forma de lidar com os mínimos detalhes da vida.
Uma bela lição para todos nós, que esperamos infinitamente coisas que não existem, que nos preocupamos obsessivamente com o amanhã, que não sabemos aproveitar as bênçãos que a vida tem a nos oferecer.
Nascemos livres, as convenções e regras são do Mundo.
Boa Compulsão a todos!!!
*
*
*
P.S: Estou aguardando a autorização da Editora Record para postar um pequeno, mas fantástico trecho do livro aqui no blog. Aguardem!